25/08/2006

O estranho mundo da leitora de Nova

Sempre gostei de algumas revistas femininas. Quando era criança e bem menos inocente, achava que Nova era uma revista pra lésbicas, pelo volume de mulheres em poses sensuais e por todas as matérias sobre sexo, técnicas e complementos sexuais.

Nas décadas seguintes ainda era comum as mães de família esconderem a Nova dentro do guarda-roupa, enquanto Cláudia e seu excelente suplemento de cozinha ficavam no revisteiro da sala de estar. Gente chique, sobretudo mulheres, foge de Nova como Lúcifer da cruz.

Folheando uma edição recente de Nova numa sala de espera encontrei dicas para “saber se ele vai te cornear”. Lembro de três:

  • Se o cara é bom de papo
  • Se ele tem uma boa carreira
  • Se ele é filho único.

  • No mundo besta de Nova uma qualidade positiva (ser extrovertido, sedutor, agradável), a cumulação do esforço e da competência (se dar bem no trabalho) e um acidente acima da responsabilidade individual (ser filho único) são requisitos evidências de cornice em potencial. Pelo visto, estar vivo é condição suficiente para se ter a cabeça enfeitada mas nunca imaginei que a paranóia e a neurose das leitoras de Nova descessem ao excremento.

    10 comentários:

    Jane disse...

    hahahah tah cheio de Nova numa cômoda em casa
    bjos

    Vandynha disse...

    realmente essa historia aí da revista passou meio longe. dessa vez eu vou concordar contigo. tem muuuuito mais coisa nesse meio

    Afonso disse...

    Boa, Barão. Gibi da Luluzinha pra elas.

    Alex Bezerra de Menezes disse...

    Show essa da NOVA hein???


    Fico igual vc, no consultorio, em todo lugar observando a tragédia humana...

    Abraço!

    Cris Caetano disse...

    Gente.... Eduardo, você não está falando sério! Quantos anos você tem? Sabe porque? Há muito mais de 10 anos não entra aqui em casa a revista Nova (vivi fora do Brasil). Mas...muito antes disso, minha querida mamãe comprava a Nova, eu era mais nova e nunca ficou escondida. Estou ó, de queixo caído. TÔ BESTA!!!

    Resumindo: me senti desatualizadíssima... ;)

    Eduardo Tetera disse...

    Cris
    Me refiro aos anos 70. A Nova Metropolitan é a revista feminina mais lida no mundo, editada em mais de 100 países, em dezenas de línguas, há mais de 30 anos. Eu mesmo já comprei várias edições.
    Suponho que a minha tolerância a pseudo-manuais-do-bom-viver é que tenha se esvaído nos últimos tempos.
    E, não, você não está desatualizada. Está sim, com a sua boa leitura em dia. Continue assim.

    João Adolfo Guerreiro disse...

    Mas bah tchê, matou a pau, é isso mesmo. Coisa mais imbecil pra se publicar em revista! Agora eu tenho 33,33333...% de probabilidade de cornear minha mulher, pois meu papo é meia-boca, minha carreira é comum. Só tenho o defeito de ser filho único. Mas com atenuante: sempre fui o único homem no meio da mulherada que tem na minha família!

    Cris Caetano disse...

    Continuarei, Eduardo! :) Pelo menos, tento na medida em que o preço dos livros me permite.
    Mas, já agora, aproveito para dizer que não tenho nada contra o lado fútil da vida, como desligar os neurônios, viajar em cada vitrine de um shopping hehehe, mas...francamente, mesmo sendo mulher de nascimento e carteirinha, não tenho também a mííínima paciência para essas pseudo-dicas de como se dar bem na vida, nem para testes do tipo: "saiba se ele realmente ama você. Xô, xô!!!

    abraços

    POIZÉ disse...

    Olha, sempre achei que para trair ou ser traído naum existe muita dificuldade...rs
    Agora, dizer obviedades e besteiras é o q Nova faz o tempo todo, né não? Bjs para vc.

    Ana Claudia Ferreira de Oliveira disse...

    Eu sempre achei que os editores de Nova deviam ser de algum planeta que não a Terra. E tenho pena de mulheres e homens que lêem aquilo. Ótima sua crônica! Aqui entre nós, crônica mesmo é a situação da revista...rs!
    Grande beijo, Ana.

    Postar um comentário